e-Beth

here we go again

Eu queria escrever muitas coisas a respeito dos shows do final de semana. Mas não dá, tudo o que eu penso em falar entala na garganta e só sai em formato de lágrimas.

Pra mim, 2008 encerrou ontem, com Michael Stipe gritando no palco enquanto eu esperneava de chorar em She Just Wants to Be, minha música. E sábado, com Jesus and Mary Chain cantando Some Candy Talking, enquanto eu de novo chorava e botava toda a bad vibe do ano pra fora, nas melhores companhias.

Hoje eu queria ter 100 reais na mão pra ver REM de novo. Não tenho, infelizmente, e ainda que tivesse eu não deveria gastar. Está sendo o ano mais foda de grana ever - eu nunca ganhei tanto, mas nunca “perdi” tanta grana também.

Com tanta coisa acontecendo, minha cabeça está um nó. As coisas boas passam voando, as coisas ruins ainda andam rondando meus dias como se não houvesse amanhã - mas eu acredito, eu tenho fé, eu fecho os olhos e tenho certeza de que vejo luz no fim do túnel e que tudo vai dar certo e que mais ninguém vai me tirar desse caminho. Porque só depende de mim.

Pros que me perguntam se tá tudo bem, que não entendem meus posts: é claro que não tá 100%, mas nem tudo é só sofrimento. A diferença é que eu decidi que não vou ficar reclamando e remoendo, ao menos não em público - e todo mundo já sabe que meus chiliques de felicidade e de fofurice não são públicos. Meus assuntos são problemas do “tipo meu” e ninguém além de mim pode resolve-los. Já passei da hora de deixar os problemas dos outros pra lá e cuidar de mim - e cara, agora que eu descobri o tesão de falar “não”, esqueçam a velha Beth para-ráios de maluco que ajudava todo mundo em troca de nada.

It’s not that she walked away
Her world got smaller
All the usual places
The same destinations
Only something’s changed

It’s not that the transparency
Of her earlier incarnations
Now looked back on
Were rich and loaded
With beautiful vulnerability
But now she knows
Now is greater
And she knows that

Do you believe in God?

Brian Wilson: I believe that my wife, Melinda, is God. No, I’m only kidding, but she is a very godly person. She makes me so happy. BUt I don’t believe in God in the way that people talk about God. I don’t believe that God is a person, this God that looks at you and talks to you and you talk back to. God is a spark, an energy. When I write a good song I always thank God, but I’m thanking an energy.

É muita preguiça, Brasiu.

Quatro temporadas de The Office em menos de sete dias. Olá, vida.

Uma vontade louca de falar falar falar - e nenhuma coragem - como se de novo eu ainda fosse uma criança de 7 anos precisando de atenção. Não, essas dorzinhas não passam nunca.

Vivendo de pequenos passos, pequenos de um tamanho que eu nunca dei e nem sabia que eram possíveis. Às vezes parece muito possível, eu chego a sonhar e acreditar que tudo pode dar certo, outras vezes eu caio na minha real de sempre e acho que estou pirando e que tinha mesmo é que voltar a ser uma velha gagá incompreendida.

Queria abrir a cabecinha e tirar as minhocas, tem como?

Eu não fui uma criança lá das muito felizes. Não por opção, até porquê eu não tinha como escolher ser feliz e extrovertida com sete anos de idade, mas por fazer parte de uma família muito rígida e pouco adepta da arte dos carinhos e elogios. Só eu e minha terapeuta e pouquíssimas pessoas que se interessaram em me conhecer de muito perto sabem como isso se refletiu no resto da minha vida.

A falta de experiência com gente e com o mundo me transformou quase em adolescente-bicho, e foi aí que eu me percebi difícil, fechada e triste. Tive namoradinhos bobos, a maioria deles só pra me sentir incluída na “galera”, tive poucos amigos de verdade, tive brigas horríveis com meus pais, tive namorados escrotos, empregos horríveis e estive cercada de gente que eu realmente prefiro esquecer.

De lá pra cá eu aprendi a colocar um pouquinho de carinho e paciência no meu dia a dia. Eu amo meus amigos (e eles sabem quem são, eu tenho certeza disso), amo meu irmão, amei muita gente por aí que não mereceu. E dei o melhor de mim pra todos, e continuo distribuindo amor e carinho e sorrisos e bobagens por aí pra qualquer pessoa que me faça brilhar os olhos ou que me aqueça o coração. Erro, claro. Tropeço, caio, levanto, choro um pouquinho (mentira, choro pra caralho), mas pouco tempo depois eu já esqueci - essa falta de memória pra coisas relacionadas ao coração tem que ter um lado bom.

Eu sou hug-addicted. Preciso de calor humano. Preciso de carinho. Preciso de companhia (nem sempre, todo mundo sabe que às vezes eu me tranco na concha e não há quem consiga me arrancar de lá). Preciso ouvir. Preciso saber. Preciso ver, preciso sentir, preciso vibrar. Eu sou feita disso, me tranque em um lugar cinza e sem atenção que eu morro, eu seco. Me sinto babaca algumas (muitas) vezes. Mas me sinto bem e feliz em outras tantas, e quando eu olho pra trás e lembro de tudo, embora não ache que “valeu a pena”, acho que consegui ir em frente numa boa.

Eu quero, mas não consigo parar de falar de mim. Ainda estou nesse processo maluco de me entender e ser “melhor” a cada passo. E aí eu acordo com Eddie Vedder cantando na minha cabeça e me fazendo chorar numa manhã de tpm fictícia e é isso que dá - posts sem pé nem cabeça que só fazem sentido pro meu momento.

Sábado, oito da manhã, chuvinha. Eu tinha ido dormir às três. Olhei pra fora e pensei: é hoje que durmo até meio dia. Toca o telefone: “Filha, vamos até a 25 de março comigo?”.

Na 25 de março, mãe fazendo “comprinhas” para eu ajudar a carregar.
- São 15 quilos deste tecido, moço.

Presente de aniversário do irmão comprado. Não me aguentando, ligo pra ele:
- Mala, teu presente tá comigo, vamos se ver pra eu te dar?
- Ah, hoje não posso, vê se tromba o Gabriel em algum lugar e deixa com ele.
- Ô consideração!

Dia seguinte:
- E aí, a gente se vê hoje? Não vejo a hora de te dar o livro, quer dizer, o presente.
- Hahahahahaha.

Tarde de autógrafos do Liniers. Eu criança feliz empolgada chorando de felicidade, abro mão de todo meu egoísmo e separo dois postais lindos para ele autografar e eu dar de presente para duas pessoas que eu nem conheço tanto assim, mas que imaginei que gostariam MUITO deles.
- Oooooooolha o que eu trouxe pra vocêeeeeeeeeeee!
- Grunf.

(Adoro gente educada).

No táxi:
- Amigo, tô indo pra Praça Oswaldo Cruz.
- Consolação, né?
- Não, Praça Oswaldo Cruz.
- Rua Treze de maio?
- Não, amigo, PRA-ÇA OS-WAL-DO CRUZ! OSWALDO CRUZ!
- Ah, desculpa, é que não tô ouvindo direito. Faria Lima?

No escritório, fazendo cara de paisagem fazendo de conta que não ouvia nada graças aos fones de ouvido.
- Beth, aquela planilha. Já acabou? Falta menos? Já começou? Falta muito? Quanto tempo demora? Ms falta menos, né? Ou nem começou ainda? Ai, Beth, você me deixa nervoso.

Tarde de autógrafo do Liniers, faltam cinco minutos para encerrar. Cheguei suada e cansada para correndo. Ele olha pra mim, sorri e pergunta:
- Que dibujo quer que eu faça?

MORRI.

Sim, eu só falo de mim. Não me interesso por quem não me interessa.

Não me procure para falar mal dos outros, do trabalho dos outros, da vida dos outros. Eu não tenho tempo nem paciência pra isso.

E não quero saber de notícias ruins, de gente louca que não se controla, de crise financeira, nada. Me poupem.

Minha vida, pelos outros:

Eu sou legal pra caralho. Gente boa. Tenho sacadas genais, conto as melhores histórias. Inteligente, incrível, prestativa. Minha casa é linda. Faço os melhores almoços e ofereço os melhores jantares e adoro lavar louça depois. Minha geladeira sempre tem coca cola e cerveja gelada. Minhas cachorras são lindas e educadas e estão sempre prontas para serem afofadas a qualquer momento, por qualquer um. Me peça um doce e eu sempre terei, e se não tiver, eu faço. Não preciso de faxineira, eu dou conta de tudo. Não preciso dormir. Nunca preciso emagracer, estou sempre linda. Meu cabelo é maravilhoso. Minhas fotos são sempre as melhores. Minha vida é perfeita. Eu não só não tenho problemas como resolvo todos os problemas do mundo. E, claro, eu tenho uma fábrica de dinheiro - e por isso mesmo as pessoas não precisam me pagar o que devem.

Minha vida, por mim:

Eu sou chata pra caralho. Sim, gente boa demais. Minhas sacadas são medíocres e minhas histórias bem normais. Inteligente na média, prestativa demais. Minha casa é linda sim, obrigada. Faço uns almoços legais e adoro receber meus amigos pra jantar, mas odeio lavar louça. Minha geladeira está quebrada e eu só tenho coca cola quente e água em casa. Minhas cachorras são lindas e educadinhas e são minha vida. Se eu gostar de você, vou sempre te agradar com comida, principalmente com doces. Eu sou Amélia com TOC e, se não me controlar, passo 2 dias limpando a casa sem dormir. Nunca durmo o suficiente. Gorda. Feia. Meu cabelo é legal, mas podia ser melhor (claro!). Um dia eu vou ter uma máquina fotográfica decente e vou fotografar lindamente tudo o que vejo. Cansei de tentar viver uma vida perfeita. Nem sempre consigo resolver meus próprios problemas sozinha - mas olha que evolução, até aprendi a pedir ajuda. Estou cansada da rotina. Estou cercada de pilantras e caloteiros. Devo pro banco, pro chefe, pro cartão de crédito e pra minha mãe e não tenho como pagar. Eu sou cada dia mais normal e sou feliz pra caralho assim.

Se eu tenho tevê à cabo, eu não assisto tevê e sofro por pagar algo que não uso.

Se eu não tenho tevê, eu sofro por todos os programas que não posso assistir.

Falta um pouco de equilíbrio aqui.

Calor senegalês em São Paulo, ar-condicionado 24×7 e minha voz de traveco dando as caras outra vez. Olá, primavera! Olá, rinite!

Sim, eu quero que o fim do ano chegue logo, mas quero que os dias até lá sejam muito produtivos. Acontece que já vi banco decorado na Paulista e acabei de comprar um panetone no seu Diniz, o que me faz acreditar que amanhã papai noel tá batendo aqui na porta e eu vou descobrir que não fiz nada do que estava planejado.

Tomara que, ao menos desta vez, eu esteja errada.

Tecnologia tem vida própria, e é ciumenta e temperamental. Meu pc lindinho querido que ia muito bem obrigado resolveu não reconhecer mais a placa de som desde que o notebook chegou. Paciência, oi?

Pode não parecer, mas tem um sorrisinho e uma ansiedade boa do lado de cá. Gosto de novos planos, gosto de movimento, estou definitivamente em uma fase pouco taurina, hermética demais até pra mim. Como eu já disse um trilhão de vezes, é o instinto de sobrevivência falando mais alto. Ainda bem. :)

Acordei com o sol na cara e com as cãs me chamando e os pássaros cantando na janela. Mil planos. Algumas dúvidas, muitas dívidas e um longo caminho traçado para me livrar delas. Cabeça quente, coração apertado, e essa vontade louca de jogar tudo pro alto que tenho de vez em quando (e a coragem, cadê a coragem?).

Eu tenho essa preguiça em relação ao mundo que não consigo explicar. E me pego às vezes, dentro de um ônibus, assistindo um fim de tarde de domingo tão bonito e querendo chorar por ter perdido tanto tempo sem nem ter feito nada de útil. E me vejo aceitando e entendendo demais os erros e os defeitos (e até as picaretagens) dos outros, mas com tão pouca paciência pra mim e pros meus tropeços.

Na verdade, eu sei que a tempestade já passou, mas fiquei tão acostumada com os trovões e a escuridão e o frio que não sei o que fazer com a claridade e o vento bom que bate na cara e as novas possibilidades. Mas me jogo. E não engulo mais sapos. E tenho horizonte. E céu azul. E calor. E respiro de novo - e olha, só eu sei o quanto é bom respirar pra controlar a ansiedade que me consome.

And they’re all made out of ticky tacky and they all look just the same

Acho que devo um post decente aqui, que não seja reclamando do maldito dólar que só sobe. Mas vocês tem que me entender, nunca tive e nem quero ter sangue frio de investidor e/ou jogador que gosta de ver o circo pegar fogo.

Sim, eu fui viajar. De novo. Pela segunda ou terceira vez em sei lá quantos ANOS, e depois de trabalhar dez anos sem tirar férias, achei que eu tinha o direito de gastar um pouco além do orçamento sem pensar (muito), aproveitei a ótima desculpa de um congresso de design gráfico para ir até a Argentina passar frio. Tudo lindo, yeah, right. Mas Murphy, meu amigo, não falha nunca.

(começa aqui a sessão mimimi, não interessados favor mudar de canal)

- O dólar subiu, e é claro que a passagem foi comprada em dólar e ainda não foi paga.
- Mar del Plata é linda, mas muito muito muito fria e eu não estava preparada.
- Eu prendi o dedo na porta pantográfica do MALDITO elevador do hotel. De-lí-ci-a.
- O box do hotel era minúsculo.
- Ficamos mais de 24 horas sem água quente no hotel em Mar del Plata - sim, aquela mesma cidade fria que citei ali em cima.
- Levei o que eu tinha de dinheiro, mas não foi suficiente.
- Meu cartão Itaú não funciona fora do país.
- Comprei um notebook no Submarino para levar para a viagem e ele não chegou até hoje.
- O avião da volta atrasou duas horas.
- Deixar uma mulher VCA no freeshop sem cartão de crédito = tortura.

(fim da sessão mimimi)

Mas é claro que nem só de trevas é feita minha vida, há sempre o lado bom e um pouco de humor para rir de tudo isso - embora tenha gente que tenha medo de mim e da minha cara feia, que, infelizmente, é a única que tenho.

- Mar del Plata é lindíssima.
- O congresso foi do caralho (com direito a MUITOS tapas na cara diretaços na minha vida).
- EU VI UM LEÃO MARINHO! NADANDO! NO MAR!
- Viajar é sempre muito bom, conhecer gente e respirar inspirações é animador.
- Estou apaixonada pelos prédios antigos de Buenos Aires.
- Viajar acompanhada do menino mais bonito do mundo é ainda melhor.
- Buenos Aires me tirou o fôlego, e mesmo sem grana e sem paciência eu ainda consegui ver beleza em tudo, absolutamente TUDO.
- Vinho, alfajores, queijos, empanadas, carnes, oreo de mil tipos, doce de leite, sorvete - e sim, meu regime foi pro saco.
- Os comissários de bordo da British Airways são hilários.
- Argentinos em geral são bonitos e elegantes, pero no mucho simpáticos.
- Passear, passear, passear e fotografar bobagens.

Sim, preciso voltar pra lá logo, com mais tempo, mais grana, menos preocupações. Preciso me dar esses presentes com mais frequência - mas não em dólar da próxima vez.

E o aviso ao mundo é: não se enganem (ou se encantem) pela minha cara fechada e pelos meus mimimis. Instinto de sobrevivência forte, prefiro manter por perto só os que realmente (me) importam, ainda que eu não seja delicada o suficiente (ou compreendida) nas demonstrações de afeto. Ainda prefiro assim.

Não entendo nada de crise nem de mercado financeiro - até o papa sabe que eu mal consigo controlar minhas próprias contas, mas hoje só faço torcer DESESPERADAMENTE pro dólar baixar para que eu possa dormir tranquila até o fim do mês.

Pela atenção e carinho com o meu problema, deuses da minha vida financeira completamente descontrolada, sou eternamente grata.

Minha vida não é uma tela em branco, mas a cada dia eu encontro mais espaços vazios que nem sabia que existiam.

Sobre a viagem, tenho sim muito o que contar, mas ainda mais o que digerir.

Por enquanto, tudo o que sei é que preciso definitivamente entrar no regime para perder as gordurinhas portenhas extras e rezar MUITO para o dólar baixar.

E sobre os últimos 3 meses, não tenho o que dizer, só o que agradecer por todas as caretas e frios de barriga. Valeu aí, papai do céu. ;)

(L)